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segunda-feira, 15 de março de 2010

Estagiar de graça é exploração?

O assunto Estágio em Educação Física é bastante rico e cheio de nuances. Sem sair dele, podemos ainda nos perguntar: oferecer um estágio não remunerado é ético? Não seria um abuso, nos dias de hoje esperar que alguém faça estágios sem ganhar um centavo?

Bem, a maioria dos estágios inidôneos que já conheci, mascaravam sub-empregos degradantes sob a forma de “estágios remunerados”. Portanto, de saída posso afirmar que remuneração (a qualquer título) não é garantia de estágio honesto.

É preciso deixar claro sempre que estágio é uma estratégia de formação profissional, prima da aula de faculdade, dos seminários, dos estudos em grupo. Sendo assim, a simples presença em alguma academia, escola ou clube não basta. É preciso que haja sempre um profissional disposto a supervisioná-lo, a orientá-lo, a responder as suas dúvidas e, principalmente, a responsabilizar-se por tudo que o estagiário fizer.

Isso tudo demanda tempo deste profissional supervisor. Tempo especializado e remunerado portanto. Dessa forma, podemos dizer que uma empresa honesta e que oferece estágios honestos paga um ou mais de seus profissionais para, entre outras tarefas, orientarem estagiários, mesmo que para o estagiário não vá nenhum centavo. Isso não é uma oportunidade de ouro, num mundo onde muitas empresas economizam até no papel higiênico e se fecham cada vez mais em seus balanços?

Oferecer estágio, mesmo os mais corretos e éticos, é tecnicamente um custo para a empresa. Muitas delas só topam fazer isso porque sabem que um programa de estágios bem concebido pode tornar-se rapidamente um confiável programa de seleção e treinamento de talentos que, na hora oportuna, serão contratados como profissionais. A empresa assim transforma custos em investimentos.

Neste contexto, entendo que mesmo que a empresa não possa dispor de verbas específicas para ajudas de custo (essencialmente transporte e alimentação), um estágio criterioso e bem conduzido de parte a parte pode ser aceito sem problemas. É claro que o estudante, tendo que fazer frente a todos os seus custos, precisa avaliar suas disponibilidades. Via de regra, precisa estagiar relativamente próximo de casa ou ter transporte próprio e econômico, além de estabelecer um horário que lhe permita almoçar, jantar ou mesmo lanchar de forma também econômica.

A oportunidade de agregar valiosos conhecimentos, que muitas vezes apenas a prática orientada e o contato com colegas mais experientes trazem, é que deve estar no norte da bússola de que procura estágios. O resto negocia-se!

FONTE: Portal da Educação Física

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