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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Site une serviço de personal trainer com uso de redes sociais, no Brasil.

Use as redes sociais para entrar em forma

Por que um serviço de personal trainer muito barato pela internet pode funcionar

Emerson Bento Pereira teve aquele tipo de ideia que faz a gente se perguntar: como nunca pensaram nisso antes? Ligado em informática, marketing e educação e casado com uma profissional de educação física, Emerson criou um jeito de democratizar o acesso a um serviço normalmente caro – as aulas de um personal trainer – por meio da internet. Há dois meses, ele pôs no ar o que chamou de Rede Personal Trainer. Ali, todo e qualquer interessado pode se cadastrar, responder um questionário, trocar mensagens com a personal trainer Alessandra Bueno (a esposa de Emerson) e ganhar uma planilha de exercícios só sua para fazer onde quiser – em casa, no parque, na rua, no prédio. E o melhor: sem precisar pagar nada por isso.

Como assim? Sim, a novidade parece tão boa que o santo desconfia. Vamos por partes.

Primeiro, Emerson montou um plano de negócios e descobriu que gastaria muito pouco dinheiro para oferecer o serviço para centenas de pessoas que hoje querem se exercitar mas não têm grana para pagar uma academia, um clube ou um professor particular. Ele só precisou de uma câmera digital, alguns amigos e softwares livres. Com um investimento inicial de meros R$ 600, fez com sua esposa vídeos demonstrativos com cada exercício que incluiriam nas planilhas, publicou tudo no YouTube e montou a estrutura da rede social. Para as planilhas, está usando o Google Docs. Para a divulgação, usa o Facebook e o Twitter. E pronto. Em apenas dois meses, me disse o Emerson, a Rede Personal Trainer tem mais de 360 pessoas cadastradas (entre elas, profissionais de educação física curiosos) e 110 alunos treinando com suas planilhas de corrida e de treino muscular.

E por que fazer tudo isso sem cobrar nada? Ah, sim. Porque a estratégia é, primeiro, atrair público, para depois cobrar. Mas o preço que Emerson pretende cobrar não é nem um pouco assustador. Cada aluno vai poder decidir quanto vale cada planilha que receber (as de treino muscular duram um mês e as de corrida, duas semanas). Se cada um pagar algo como R$ 15 por planilha, ele calcula que estará alcançando a média justa de preço para o serviço. “O preço não pode ser empecilho para a pessoa fazer exercício.”

Mas é claro que o preço também não deve ser o único atrativo para ninguém fazer coisa nenhuma nesta vida. Como todo mundo sabe, há momentos em que o barato sai caro. Qual pode ser o risco de embarcar num treinamento proposto por uma pessoa que nunca olhou na sua cara, nunca observou sua postura, nunca analisou quão correta ou incorreta é a sua execução dos movimentos e portanto não tem chance de corrigir você durante o exercício? Dependendo do caso, o risco pode ser grande. Se um cadastrado informa no questionário que está obeso e quer começar a correr, ele é um forte candidato a não receber uma planilha de corrida. Afinal, correr sem preparo e com um peso extra sobre as articulações é pura roubada.

Eu mesma tentei ganhar um programa de exercícios da Ale Bueno e fui recusada. Depois de várias trocas de mensagens com a Ale e a fisioterapeuta Evely Parolina, em que eu expus minha dificuldade de fazer certos exercícios por causa de uma lesão na cartilagem dos joelhos, elas chegaram à conclusão de que esse tipo de orientação a distância não servia para mim. Até me indicaram alguns alongamentos e enfatizaram a importância de fortalecer a musculatura desta e daquela maneira, mas não passaram disso. Recomendaram que eu fizesse acompanhamento com um médico e tivesse sempre um professor fazendo ajustes nos meus movimentos para evitar a dor.

Um dos cuidados que a equipe tomou para evitar riscos foi limitar o programa a exercícios que não exigem o uso de alteres e outros tipos de peso. Os exercícios que aparecem nos vídeos usam elásticos, cadeiras e o peso do próprio corpo para tonificar a musculatura.

A troca de mensagens com a equipe parece ser um ponto bem importante do serviço. Se fosse só para assistir aos vídeos de ginástica no YouTube, não haveria atendimento personalizado e tudo não passaria de uma versão online do que Jane Fonda fazia no século passado. A oportunidade de apresentar nossas queixas e dúvidas, contar dos problemas que temos no treinamento e pedir soluções adequadas é o que aumenta as chances de o negócio bombar. Alessandra dedica de quatro a seis horas por dia ao atendimento online. Resta saber se ela vai dar conta do recado quando se clientela passar de 1000 pessoas.

Consultei dois profissionais de educação física que não têm nada a ver com isso, e eles viram a iniciativa com otimismo. Pode ser que dê certo buscar orientação pela internet e que essa seja uma forma de atrair mais gente para a vida ativa. Pode ser que em breve os membros da rede passem a se encontrar no mundo real, em eventos de corrida ou partidas de futebol, e se aproximem de seus professores do mundo virtual de uma forma que favoreça um vínculo frutífero. Pode ser que o número de interessados vá crescendo e a Rede consiga crescer na mesma medida para atender à demanda sem aumentar o preço. Mas desconfio que esse sucesso não vai depender somente da atenção que a equipe da Rede será capaz de oferecer. Ele há de depender principalmente do interesse dos usuários em perguntar, duvidar, investigar e aprender a se mexer. Por escrito.

por Francine Lima

Fonte: Revista Época
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