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sexta-feira, 25 de junho de 2010

O bastidor da disputa de Dunga com a Globo e o caso Luxemburgo

O Blog da Educação Física reproduz texto do Vi o Mundo, de Luiz Carlos Azenha:


Eu, Azenha, não gosto da filosofia de Dunga como técnico da seleção brasileira. Acho que ele enfatiza demais a defesa e que despreza a principal característica do futebol brasileiro, que é jogar bonito e jogar no ataque. Como notou um comentarista, Dunga fez a gente acreditar que time que joga bonito perde. Será desmentido por Dorival Jr., o técnico do Santos, com um elenco infinitamente mais barato que aquele que serve à seleção.
Dito isso, não acho que a TV Globo esteja preocupada com a filosofia de Dunga. A emissora quer ganhar dinheiro. E, se para ganhar dinheiro for preciso causar a derrota da seleção na África do Sul, que assim seja! É um golpe menor diante daqueles que já foram praticados pela emissora. É óbvio que a Globo “edita” a polêmica de acordo com seus interesses comerciais. E a isso chama de “jornalismo”. Na reportagem de O Globo, que reproduzo abaixo, por exemplo, o jornal omite as reais causas da disputa e tenta misturar xingamentos de Dunga a jogadores da Costa do Marfim com os palavrões balbuciados pelo treinador na entrevista coletiva, um comportamento de Dunga que considero grotesco.
A seguir, uma coletânea de textos para entender melhor os bastidores da disputa:
22/06/2010 – 06h37
Globo negociou entrevistas com Ricardo Teixeira, mas Dunga vetou
Mauricio Stycer, no UOL
Em Durban (África do Sul)
Por trás do incidente entre Dunga e o jornalista Alex Escobar, da Rede Globo, durante a entrevista coletiva no Soccer City, logo depois da vitória do Brasil sobre a Costa do Marfim, esconde-se uma história que revela o alcance do poder do técnico da seleção brasileira.
O UOL Esporte apurou que a Globo negociou diretamente com Ricardo Teixeira, presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), entrevistas exclusivas com três jogadores da seleção, entre os quais Luis Fabiano. As entrevistas iriam ser exibidas durante o programa “Fantástico”, no domingo, horas depois da partida contra Costa do Marfim, vencida pelo Brasil por 3 a 1. Dunga vetou o acerto.
O incidente entre Dunga e Alex Escobar ocorreu quando o jornalista conversava ao telefone com o apresentador Tadeu Schmidt exatamente sobre este assunto. O técnico percebeu o que ocorria e perguntou: “Algum problema?” Escobar respondeu: “Nem estou olhando para você, Dunga”. O técnico replicou em voz baixa, o suficiente para ser captado pelo microfone à sua frente: “Besta, burro, cagão!”
Diversos jornalistas na sala de entrevistas ouviram Escobar desabafar: “Insuportável, bicho, insuportável. O Rodrigo (Paiva) foi revoltado lá falar comigo, cara. O Dunga não deixou. Ninguém. Caraca, nem o Luís Fabiano. Infelizmente. Valeu, Tadeuzão”.
Muitos também notaram que Rodrigo Paiva, diretor de comunicação da CBF, fez o gesto de quem soca a parede a certa altura da entrevista coletiva. Paiva tem tentado se equilibrar entre o atendimento à imprensa e o respeito às exigências de Dunga. No cargo há nove anos, gentil com todos os jornalistas, o assessor dá sinais cada vez mais evidentes de reprovação à política de clausura imposta pelo técnico.
Horas depois do incidente, durante o “Fantástico”, Schmidt falou: “O técnico Dunga não apresenta nas entrevistas comportamento compatível de alguém tão vitorioso no esporte. Com frequência, usa frases grosseiras e irônicas”. O jornalista da Globo não mencionou, no entanto, o motivo do atrito, ou seja, a recusa do técnico em aceitar um acordo feito entre o presidente da CBF e a emissora.
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22/06/2010-07h16
Dunga corta privilégios da TV Globo
EDUARDO ARRUDA
MARTÍN FERNANDEZ
PAULO COBOS
SÉRGIO RANGEL
A briga entre Dunga e a Rede Globo, escancarada pela emissora na noite de anteontem no programa “Fantástico”, é mais um capítulo de uma disputa inédita por mais acesso à seleção brasileira.
Ao longo dos últimos dois anos, o treinador encerrou décadas de privilégios da TV e partiu para o confronto.
Nesse caminho, acumulou palavrões contra profissionais da emissora, pediu a cabeça de desafetos no canal e se colocou no papel de censor e crítico de reportagens.
Os primeiros pedidos da emissora negados por Dunga datam de maio de 2008, quando o Brasil fez um amistoso com a Venezuela em Boston. Na ocasião, o técnico vetou a participação de Diego e Robinho em programa.
O choque ganhou força na Olimpíada de Pequim, quando o treinador passou a acreditar que jornalistas que faziam a cobertura da sua equipe, especialmente alguns da Globo, torciam contra o Brasil e queriam sua demissão.
Ao ganhar a medalha de bronze do torneio, virou-se para a tribuna onde estavam repórteres de vários veículos e fez xingamentos parecidos com os do último domingo –contra o jornalista da Globo Alex Escobar, no Soccer City, durante a entrevista da Fifa, após a vitória de 3 a 1 sobre a Costa do Marfim.
Dunga resistiu ao fracasso olímpico, passou a acumular bons resultados e ganhou força para perseguir seus desafetos, inclusive na Globo.
O ápice da disputa aconteceu quando pediu a demissão de Mário Jorge Guimarães, um dos principais profissionais da emissora até então na cobertura da seleção.
Guimarães acabou deixando suas funções na Globo e assumiu um cargo executivo no Sportv, canal esportivo por assinatura da empresa.
No ano passado, no próprio Sportv, Dunga atacou sem rodeios a cobertura que a emissora fazia sobre o time.
Criticou reportagem do jornalista Mauro Naves, outro que esteve em Pequim, em que o profissional descrevia um treino da equipe como “leve” –Dunga detesta quando alguém fala que seu time não treinou pesado.
Falcão, um dos principais comentaristas da emissora, é outro profissional da Globo na lista negra do técnico.
Em maio, no dia em que anunciou os 23 jogadores que iriam ao Mundial, Dunga fez rara deferência à emissora e concedeu entrevista ao vivo no “Jornal Nacional”, dando sinais de uma trégua.
Na Copa, porém, a relação se deteriorou rapidamente depois que Robinho, em dia de folga, falou com a TV em um shopping –foi obrigado a pedir desculpa ao elenco.
O ataque de anteontem foi a gota d’água, motivando a resposta da Globo, que deve azedar ainda mais uma relação que já foi umbilical.
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Fifa não vai punir Dunga pelos xingamentos após o jogo contra a Costa do Marfim pela Copa
Publicada em 22/06/2010 às 07h43m
Fábio Juppa, em O Globo, via Stanley Burburinho
JOHANNESBURGO, África do Sul – A Fifa não vai punir o técnico Dunga pelos acontecimentos após o jogo contra a Costa do Marfim, na segunda rodada da Copa do Mundo. Segundo Pekka Odriozola, do departamento de mídia da entidade, a entidade não encontrou motivos para abrir processo disciplinar contra o treinador da seleção brasileira.
Após a vitória da seleção por 3 a 1 , as câmeras de TV flagaram Dunga xingando os jogadores da Costa do Marfim, em especial o atacante Drogba. Em seguida, na entrevista coletiva, o técnico xingou o jornalista Alex Escobar porque achou que o repórter da TV Globo estava discordando de um comentário dele.
A CBF temia que Dunga recebesse uma advertência ou mesmo fosse multado por causa das atitudes do técnico em campo.
Questionado sobre a punição que o técnico da Argentina, Diego Maradona, sofreu após o jogo contra o Uruguai pelas Eliminatórias da Copa, Odriozola foi lacônico.
- Não posso comentar isso. Não foi estabelecida nenhuma comparação com o caso do Maradona. O que se pode dizer é que a Fifa não encontrou motivo para punir o Dunga – disse Odriozola durante a reunião do comitê organizador da Fifa que aconteceu no Soccer City, em Johannesburgo.
Após a classificação da Argentina para a Copa, Maradona, ainda no campo e também mais tarde na coletiva, xingou os jornalistas. Ele vinha sendo muito criticado pelo desempenho da seleção. Pelos xingamentos, o treinador ficou dois meses suspenso, tendo sido impedido de acompanhar o sorteio dos grupos da Copa do Mundo. Maradona também teve que pagar 25 mil francos suíços (cerca de R$ 42 mil).
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21 de junho de 2010
Há dois anos, Dunga anunciava “área de desconforto” com a Globo

Por Luciano Borges, no Terra Magazine
A saia justa entre o técnico Dunga e a Rede Globo é antiga. Há exatamente dois anos, em entrevista exclusiva ao Blog do Boleiro, o treinador dizia que tinha criado uma “área de desconforto” para os profissionais da emissora.
O tempo passou, as relações se tornaram melhores, Dunga comentou a convocação para a Copa do Mundo no Jornal Nacional, com exclusividade. Na coletiva depois da vitória sobre a Costa do Marfim, ele cismou que estava sendo ironizado pelo jornalista Alex Escobar. Foi agressivo e aplicou o método Dunga de chamar para a briga: xinga baixinho, olhando para o oponente.
O método de Jorginho é diferente. Mal chegou à África do Sul e já partiu para o ataque na primeira coletiva, pedindo que os críticos de plantão se manifestassem na entrevista. Se esta postura de confronto serve para animar o time em campo, não se tem certeza. Os atletas têm mostrado mais equilíbrio do que a chefia. Tratam os repórteres com cortesia, mas fogem da polêmica sempre que podem.
A primeira vez em que Dunga tornou público o conflito com a Globo, aconteceu dois dias depois do empate entre Brasil e Argentina (0 a 0), no dia 19 de junho de 2008. Naquela partida, Dunga ouviu a torcida no Mineirão cantar “Adeus Dun-ga, Adeus Dun-ga”. E soube que tinham feito leitura labial do que falou no banco de reservas.
Veja o que Dunga disse na época e constate que pouca coisa mudou:
Dunga, como você está?
Tranqüilo. Estou puto, mas estou tranqüilo. Sei que querem a minha cabeça porque criei uma zona de desconforto para quem estava acostumado a cobrir a seleção brasileira sem sair de casa. Porque tinham a escalação, o time, as preferências do treinador. Mas isto mudou.

De quem você está falando?

Queira ou não queira, a poderosa manda e os caras que trabalham para ela acham que mandam. Não digo que seja a TV Globo, mas alguns profissionais que trabalham lá e estavam acostumados com privilégios e não têm mais. Lá nos Estados Unidos, vieram pedir para entrevistar um jogador à uma da manhã. Disse não. Eles foram à loucura. Um câmera ficou dizendo que ia falar com A, B ou C, mas falei que não. Não tenho culpa se os caras chegaram atrasados em três dos quatro treinos que dei. Não é meu problema se o cara perdeu a hora passeando no shopping. E eu disse para o cara: “Não vai jogar a responsabilidade em cima de mim”. Depois dizem que o Dunga é carrancudo. Tenho senso de justiça.

As relações entre você e os jornalistas estão estremecidas?

Comigo, os repórteres perguntam tudo e eu respondo tudo. O que fiz foi atender o que 95% da mídia pediu e 100% da população brasileira queria: coloquei ordem, acabei com a festa que foi na Copa do Mundo de 2006. E estou atendendo o que o meu patrão determinou.

Mas a reclamação não é só dos profissionais da Globo.

Veja como são as coisas. Os caras que a vida toda reclamaram dos privilégios de uma emissora, agora se juntam com ela para meter o pau. Quem reclamava das tendas de algumas tevês que cobriam os treinos e faziam entrevistas na hora que queriam, agora tem tratamento igual. Mesmo assim, reclamam. Mas não vou dar nada para ninguém. Mas está tudo dez. Sei que os caras vão fazer leitura labial comigo, mas não mudo de posição. Estou tranqüilo.
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Luiz Antônio Prosperi
Globo x Luxemburgo: só tensão“, copyright Jornal da Tarde, 11/09/00, no Observatório da Imprensa
As relações entre a TV Globo e Wanderley Luxemburgo são tensas. O Departamento de Esportes da empresa não concorda com os métodos de trabalho que o técnico vem empregando na Seleção. A crise se acentuou com as denúncias contra o treinador e a campanha da emissora para que Romário disputasse a Olimpíada de Sydney. Ao final dos Jogos, espera-se por uma nova e talvez definitiva batalha entre Globo e Luxemburgo.
No conflito declarado entre o técnico da Seleção e a emissora, passa a hegemonia do futebol no Brasil. A teia da Globo é vasta, tem sob contrato de exclusividade os campeonatos mais importantes do País e o Clube dos 13, associação dos principais clubes brasileiros. Falta a exclusividade da Seleção.
Na era Luxemburgo,  que começou em 1998, a Globo não vem encontrando as mesmas regalias que tinha na era Zagallo (1994 a 98). Quando Zagallo era o técnico, nos intervalos dos jogos e logo após o apito final, ele procurava o repórter da Globo para uma rápida entrevista exclusiva. Era, no mínimo, um acordo de cavalheiros. Nunca técnico e emissora divulgaram se havia um contrato entre as partes.
Alguns jogadores importantes, como Ronaldinho (Inter de Milão), também procuravam o microfone da Globo antes e durante a Copa do Mundo de 98 para entrevistas exclusivas. Agentes dos atletas informaram que aqueles jogadores também tinham “acordo de cavalheiros”.
Quando Luxemburgo assumiu a Seleção, a Globo perdeu a exclusividade. O vaidoso técnico procura todas as emissoras. Quanto mais tempo no ar e em diferentes canais, melhor. Pode ser nos intervalos, encerramento das partidas, pouco importa.
A Globo não gostou. A crise ficou evidente no intervalo do jogo entre Chile e Brasil, em Santiago. A Seleção estava sendo humilhada. Tino Marcos, repórter da Globo, correu atrás de uma declaração de Luxemburgo e tudo o que ganhou foi um empurrão. Foi a gota d’água para a emissora abrir fogo contra o treinador.
Entrevista fatal – Tino Marcos, em seguida, conseguiu a entrevista exclusiva com Renata Alves, ex-funcionária de Luxemburgo que denunciou o escândalo da sonegação fiscal. A matéria foi levada ao ar no Jornal Nacional. Na mesma semana, o programa No Mundo da Bola, da rádio Joven Pan, informou que Renata havia cobrado R$ 20 mil pela entrevista.
Na semana seguinte à entrevista no JN, Renata deu entrevista à CBN, rede de rádio das Organizações Globo, afirmando que daria nova entrevista a Tino Marcos, quando então divulgaria documentos provando que Luxemburgo ganhava dinheiro com a venda de jogadores. Essa entrevista ainda não foi ao ar.
Fontes do JT garantem que a Globo não teria colocado a denúncia no ar para não tumultuar a Seleção Olímpica na Austrália. A rede teme ser responsabilizada pelo eventual fracasso do time nos Jogos. O petardo seria reservado para o retorno de Luxemburgo ao Brasil, uma espécie de “pá de cal” para abreviar a passagem do técnico pela Seleção.
Luxemburgo não esconde o conflito com a Globo. Nos dias que antecederam o jogo contra a Bolívia, o técnico teve duas ásperas conversas com Tino Marcos. O caso chegou a Luis Fernando Lima, diretor de Esportes da TV Globo.
Ex-repórter, o gaúcho Lima não engole Luxemburgo.
Nos bastidores da Seleção, mais evidente na campanha das eliminatórias, Luxemburgo vem mantendo uma relação tensa com a Globo. Da emissora, apenas o repórter Mauro Naves e o locutor Galvão Bueno gozam da simpatia do técnico.
Aliás, Galvão viveu uma noite tensa no último dia 2, véspera do jogo Brasil e Bolívia, no Rio. O locutor foi informado que o Jornal Nacional iria explorar a denúncia da revista Época, uma publicação da Globo, sobre o caso do “gato” de Luxemburgo, que tem duas datas de nascimento em seus documentos. Conversou com o treinador e com pares da Comissão Técnica da Seleção em busca de uma saída para a crise.
Naquela noite, Galvão e a reportagem do JT receberam indicativos de que Luxemburgo entregaria o cargo. Um telefonema de Ricardo Teixeira, presidente da CBF, ao técnico adiou a sentença final. Teixeira deu uma trégua ao treinador “vai durar até pelo menos o fim da Olimpíada” ou o fim do Brasil nela.
Pressão inútil - Dentro da Comissão Técnica da Seleção, suspeita-se que se Romário fosse convocado para a Olimpíada a Globo desistiria da pressão contra Luxemburgo. Nas duas semanas que antecederam a convocação final dos Jogos Olímpicos, a Globo, na maioria dos seus programas de esportes e até no Fantástico, fez uma acirrada campanha favorável à convocação do atacante do Vasco. A conta é simples: com Romário na Seleção o `ibope’ sobe.
“Recebemos um recado de um grande editor, um chefão da imprensa, dizendo para levarmos o Romário para a Olimpíada porque assim criaríamos um fato novo e todos esses supostos escândalos seriam abafados, esquecidos”, confidenciou uma fonte próxima da Comissão Técnica da Seleção e da cúpula da CBF.
Luxemburgo não levou Romário. Ele e Ricardo Teixeira pagaram para ver.
Aguardam o desfecho da Olimpíada para ver o que pode ocorrer. O técnico sabe que está na berlinda. Sabe também que a crise que se instalou na Seleção Brasileira passa pela disputa da audiência e vendagem de jornais, em especial no Rio.
O primeiro jornal a denunciar o caso da sonegação com as acusações de Renata foi O Dia. Com tiragem de 320 mil exemplares diários, o jornal disputa a faixa do mercado com o jornal Extra, que superou o concorrente com 380 mil/dia. O Extra pertence às Organizações Globo e entrou firme no caso Luxemburgo. Este mesmo jornal é sócio da Federação do Rio de Futebol na organização do Campeonato Carioca, que nas últimas edições tem como estrela solitária o eterno Romário.
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