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quarta-feira, 23 de março de 2011

Descoberta abre caminho para pílula anticoncepcional sem hormônio

Bloqueio da atração do espermatozoide pelo óvulo permitirá nova droga.
Pesquisa foi publicada no periódico científico Nature.

Uma nova pílula anticoncepcional sem hormônios na composição está a um passo de ser apresentada por cientistas. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, acabam de descobrir o mecanismo de "atração fértil" que ocorre entre óvulo e espermatozoide e que culmina na fertilização. O novo contraceptivo teria apenas de bloquear o sinal emitido pela célula feminina (um aviso de que está pronta para ser fertilizada), respondido pelo espermatozoide em menos de um segundo. A pesquisa foi publicada no periódico científico Nature.

No experimento conduzido em camundongos e no esperma humano, foram encontradas correntes elétricas que conduzem o espermatozóide em sua jornada até o óvulo recém-liberado do ovário. De acordo com especialistas, assim que o espermatozoide é impulsionado pela progesterona (hormônio feminino liberado pelas células que rodeiam o óvulo), a corrente elétrica ao seu redor é potencializada, fazendo com que ele se mova mais rapidamente em direção ao óvulo.

O aumento nos movimentos da cauda do espermatozoide - que controlam sua mobilidade - é responsável ainda pela habilidade da célula reprodutiva de penetrar no óvulo, o que leva à fertilização. Os cientistas já sabiam que o óvulo libera substâncias químicas que facilitam ao espermatozoide a tarefa de encontrar a célula feminina, mas a maneira como isso acontece permanecia incerta.

As pílulas anticoncepcionais feitas atualmente são produzidas à base de hormônios, que suprimem a ovulação. Assim, o óvulo não sai do ovário, e o espermatozoide simplemente não tem o que fertilizar ao chegar às tubas uterinas (conhecidas no passado como trompas de Falópio), onde ocorre a fecundação. Apesar de ser considerado seguro, esse tipo de medicamento pode aumentar os riscos de determinados tipos de câncer e doenças cardiovasculares. Por isso, a criação de novos anticoncepcionais seria benéfica à saúde das mulheres.

Fonte: Veja.com
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