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sábado, 10 de abril de 2010

Tecnologia da Avaliação Motora

Apesar dos efeitos já confirmados do condicionamento físico, não é qualquer tipo de exercício que traz benefícios ao paciente cardiopata. É necessário que a prescrição seja adequada e individualizada para que o mesmo produza os efeitos benéficos sobre o sistema cardiovascular. Após a investigação clínica, através de dados laboratoriais e demais exames necessários a fim de se avaliar o estado geral de saúde do paciente, a prescrição de exercício deve abordar quatro itens principais: o tipo de exercício, a freqüência, a duração da sessão e a intensidade do exercício.

A ergometria e a ergoespirometria, como método de avaliação da capacidade física, contribuem para definir a intensidade do exercício mais adequada à capacidade física do indivíduo e embasar a progressão do exercício ao longo do treinamento. A diferença básica da aplicação desses métodos diagnósticos na prescrição de exercício físico está no fornecimento de uma avaliação mais precisa. A ergoespirometria, além de possibilitar a medida direta do consumo de oxigênio de pico, permite a determinação do limiar anaeróbio e o ponto de compensação respiratória, que são extremamente importantes na prescrição do treinamento físico para o paciente cardiopata. No caso da ergometria, o consumo de oxigênio de pico é calculado e não medido, enquanto o limiar anaeróbio e o ponto de compensação respiratória não podem ser determinados. Portanto, a falta de uma avaliação ergoespirométrica não é impeditiva, mas, sem dúvida, restritiva na programação de treinamento físico para o paciente cardiopata. Em geral o exercício físico que comprovadamente promove prevenção e melhora de doenças cardiovasculares são os exercícios aeróbios que envolvem grandes massas musculares, movimentadas de forma cíclica, de baixa a moderada intensidade, realizada com freqüência de 3 a 5 vezes por semana, por um período de tempo mais longo, entre 30-60 minutos.

Em relação a estes dois tipos de métodos de avaliação para a prescrição de exercício foi realizado um estudo em nosso laboratório com indivíduos saudáveis, comparando o percentual da freqüência cardíaca máxima atingida e do consumo de oxigênio estimado (prescrição indireta) adquiridos no teste ergométrico convencional, com a freqüência cardíaca e o consumo máximo de oxigênio ocorrido no limiar anaeróbio e ponto de compensação respiratória (prescrição direta). Neste estudo ficou evidenciado que a faixa ideal de intensidade de exercício físico era superestimada quando se utilizava o teste ergométrico convencional e que essa distorção era maior quanto menor a capacidade funcional dos pacientes. Portanto, a realização do teste ergoespirométrico deve ser indicada sempre que possível, evitando assim, que o exercício seja realizado em alta intensidade, desencadeando uma maior acidose metabólica.

Portanto, a avaliação funcional pela ergoespirometria deve ser o método de escolha. No entanto, isso não impede que a prescrição de treinamento para o paciente cardiopata seja realizada com o teste de esforço convencional, utilizando-se a medida direta de freqüência cardíaca, registrada pelo eletrocardiograma no repouso e no pico do exercício, a partir de cálculos indiretos ou de fórmulas.


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